Estudo: Ser igreja | Lição 3: Os propósitos bíblicos da igreja (Parte 2: As pessoas)

Lição 3 | Aula 1 – Edificação

Lição 3 | Aula 2 – Evangelização (o Fecebook não disponibilizou esta transmissão para download, de maneira que não conseguimos incorporar aqui na lição, entretanto, o conteúdo encontra-se no texto abaixo).

Lição 3 | Aula 3 – Ação Social e equilíbrio dos propósitos

II. Ministério com relação aos cristãos: EDIFICAR
Vamos examinar juntos alguns textos:

  • EF 4.11-16
  • Paulo disse que seu próprio alvo não era apenas levar as pessoas à fé, mas esclarece que há uma continuidade na ação, por exemplo em CL 1.28-29

É totalmente contra às Escrituras do NT pensar que nosso único alvo como igreja deve ser apresentar o Evangelho às pessoas que, peça graça, venham a crer. Não temos apenas que ser discípulos, mas fazer discípulos, essa é a ordem do Senhor.
Aliás, outro teólogo batista, Millard J. Erickon, diz que “a edificação dos crentes é logicamente anterior [à evangelização]”. 

Além de pessoas dadas como dons (EF 4) para coordenar a igreja como um todo, o NT mostra que os membros da igreja receberam dons, que não são para satisfação pessoal, mas para servir ao Corpo de Cristo. 1CO 12.27-31 diz que nenhum dom é comum a todos, o que quer dizer também que nenhuma pessoa possui todos os dons. E Deus fez assim para que o corpo ficasse unido, em humildade, reconhecendo a dependência do Cabeça, Jesus Cristo e a interdependência dos membros, que devem, no ensino bíblica, crescer juntos.

Os dons são exercidos nos ministérios da igreja e na vida cotidiana; o ES dá exatamente o que é necessário para cada igreja, segundo Sua sabedoria e propósitos.

A edificação também se dá através da comunhão, com relacionamentos santos, falando entre nós com hinos, cânticos, salmos e jamais havendo conversa profana, fofoca, calúnias e difamação. O contrário disso não é só errado, mas condenado nas Escrituras.

III. Ministério com relação ao mundo: EVANGELIZAÇÃO E MISERICÓRDIA
A igreja não pode ficar fechada em si mesma. Jesus disse aos Seus seguidores que deveriam alcançar pessoas e fazer delas discípulos, é assim que a igreja cresce:

  • MT 28.19-20

Essa obra evangelística de proclamar o Evangelho ao mundo é o ministério principal da igreja com relação ao mundo. 

  • AT 1.8

Em outras palavras, seriam instrumentos da graça de Deus para o propósito divino de redimir os pecadores. 

Assim eles tinham o direito de evangelizar e a capacidade para a tarefa. Não existe evangelização sem ação do Espírito Santo. Você e eu não podemos converter a alma de ninguém, isso é obra soberana de Deus.

Acompanhado da Evangelização, temos também uma preocupação social não somente com os crentes, mas também com os descrentes. A parábola do bom samaritano em LC 10.25-37 evidencia isso. 

A igreja deve mostrar interesse e atuar sempre que vê necessidades, sofrimentos ou erros. Ajudar o pobre, fundar escolas, faculdades e hospitais são exemplos de uma ação social neste mundo, mas que deve SEMPRE vir acompanhada da evangelização.

O uso da nossa profissão secular para ajuda humanitária também pode ser contado como ação em prol das necessidades do mundo. Mas lembrado que isso não é a grande comissão em si, e sim amor ao próximo, que deve existir, porém, jamais substituir a ação espiritual da igreja na terra. 

A igreja pode, ainda, exercer sua cidadania neste mundo, denunciar a injustiça e influenciar a política e o governo a serem mais alinhados com os valores bíblicos, Em que pese isso não salve, que cremos que é o melhor para humanidade criada por Deus. 

Dito isso, entretanto, é importante distinguir influência política de militância política usando a igreja ou a condição de membro ou pastor. Emitir opinião política FORA da assembleia que se reúne para culto é uma coisa. Fazer militância usando condição eclesiástica é outra, o que é condenável. 

Pastores que usam púlpito para falar “vote no fulano” agem com total falta de ética e desviam-se de sua função. Alertar a igreja sobre riscos na política, como evitar candidatos que apoiem aborto, ideologia de gênero e afins é orientar biblicamente sobre política. Dar o nome e número de candidato é falar sobre político, aí isso é errado. 

Falar sobre princípios bíblicos para escolha de candidatos que vão lhe representar é uma coisa. Falar nome e número no púlpito é fazer panfletagem anti-ética, o que deveria tornar o pastor alvo de disciplina por parte da ordem dos pastores e de questionamento por sua igreja. Rebanho de Cristo não é curral eleitoral. 
Estes propósitos encaixam-se bem com os mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

QUAL DELES É O MAIS IMPORTANTE?

Abaixo uma ponderação interessante a fim de concluir o assunto, extraída e adaptada da obra de Teologia Sistemática do batista Wayne Grudem¹ acerca dos propósitos bíblicos da igreja que foram tradados nesta lição e na anterior:

Uma vez relacionados esses propósitos para a igreja alguém pode perguntar qual deles é o mais importante? Ocorre que todos os propósitos foram ordenados pelo Senhor nas Escrituras; portanto, todos são importantes e nenhum deles pode ser negligenciado. De fato, uma igreja forte terá ministérios eficazes em todas as áreas áreas. Devemos acautelar-nos de quaisquer tentativas de reduzir o propósito da igreja a apenas um deles e de dizer que um ou outro deve ser a nossa preocupação principal. De fato, tais tentativas de tornar um desses propósitos o principal sempre resultará em negligência dos outros. Uma igreja que enfatiza apenas adoraçãoacabará tendo um ensino bíblico inadequado, e seus membros permanecerão na superficialidade quanto ao entendimento das Escrituras e imaturos na vida cristã. Se ela também negligenciar a evangelização, essa igreja vai parar de crescer e de influenciar os outros; ela se tornará estagnada e finalmente começará a decair. Uma igreja que coloca a edificação dos cristãos como um propósito que tem precedência sobre os outros tende a produzir cristãos que sabem muita doutrina bíblica mas são espiritualmente áridos na vida porque pouco conhecem da alegria de adorar a Deus e de falar aos outros sobre Jesus Cristo.
Mas uma igreja que faça da evangelização sua prioridade, de modo que venha a negligenciar os outros propósitos também acabará tendo cristãos imaturos que enfatizam o crescimento numérico, mas que possuem cada vez menos do amor genuíno de Deus expresso na adoração, maturidade doutrinária e santidade pessoal na vida. Todos esses propósitos precisam ser enfatizados continuamente numa igreja saudável.

Todavia, indivíduos são diferentes de igrejas ao colocar relativa prioridade sobre um ou outros desses propósitos. Pelo fato de sermos um corpo com diversos dons espirituais e vários talentos, será correto colocar mais ênfase no cumprimento daquele propósito da igreja que for mais relacionado com os dons e interesses que Deus nos deu. Com certeza nenhum cristão é obrigado a tentar dar exatamente um quarto do seu tempo na igreja para a adoração, um quarto para a edificação, um quarto para a evangelização e um quarto para o ministério de misericórdia. Essa é uma resposta adequada para a diversidade de dons que Deus nos concedeu.

CONSIDERAÇÃO FINAL

Em que pese todos os propósitos serem importantes para a saúde da igreja, que mantém sua vida equilibrada com adoração, evangelização, edificação e ação social, entendo que é possível ajustar uma ordem lógica para a execução prática dos propósitos da igreja:

adoração é o centro, pois tudo gira em torno de Deus e da Sua glória e em tudo Ele tem a primazia na vida da igreja. Jesus é o nosso cabeça.

edificação é necessária para a maturidade e o serviço cristão consciente e amoroso.

evangelização e a ação social são o transbordar do entendimento e do coração do discípulo de Jesus, que, ao adorar a Deus e crescer em maturidade, pela obra do Espírito Santo pela Palavra de Deus, desejará testemunhar ao mundo sobre o Evangelho da salvação, bem como ajudar os que têm necessidades e influenciar no que for possível para um mundo melhor.

¹GRUDEN. Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 726 à 728.

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