Dar frutos

fruto

“Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos.” – João 15:8

Quando estamos na igreja, ao ouvir a pregação da Palavra, aguardamos um sermão que nos edifique a fé, a nossa vida – que nos ajude a resolver conflitos e problemas, esclareça dúvidas e nos alimente. E graças a Deus por Ele cuidar do Seu povo e falar conosco por intermédio de Sua Palavra!

Entretanto, não podemos nos enxergar somente como receptores da Palavra de Deus. A sabedoria bíblica diz que “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins…” (Pv 16.4a), e o ser humano tem uma finalidade muito maior do que isso. A Declaração Doutrinária dos Batistas Brasileiros reconhece o ensino da Bíblia sobre a finalidade do ser humano, apontando que este é “Criado para a glorificação de Deus. Seu propósito é amar, conhecer e estar em comunhão com seu Criador, bem como cumprir sua divina vontade [Base bíblica: At 17.26-29; 1Jo 1.3,6,9; Jr 9.23,24; Mq 6.8; Mt 6.33; Jo 14.23; Rm 8.38,39].

Vimos acima, no ensino de Jesus, que o fato do ser humano dar frutos glorifica a Deus. Isso, então, contribui para o cumprimento da finalidade bíblica do ser humano. Mas, como esse conceito pode ser experimentado na prática?

John MacArthur agrupou os frutos espirituais da seguinte maneira:

  • atitudes santas;
  • comportamento justo;
  • adoração;
  • e, sobretudo, conduzir as pessoas à fé em Jesus, fazendo delas discípulos.

Vamos nos focar, nesta postagem, na forma de glorificar a Deus dando frutos através da multiplicação de discípulos.

Esse tipo de mensagem é diferente, pois tira o foco de nós, do que podemos receber para nos edificar – pois, para promover a glória de Deus é preciso também tirar a atenção de nós e projetar para o próximo e para o Senhor!

Para servir a Deus, precisamos estar cheios d´Ele mesmo, e isso muitos cristãos estão – mesmo em uma época com tantas heresias. O problema é que isso não transborda.

Chega um momento na vida cristã em que nos deparamos com uma crise. Nós ouvimos, ouvimos, recebemos e estamos cheios. Então… precisamos transbordar! Transbordar para dar frutos para o Reino de Deus. E isso tem sido extremamente necessário num mundo sem esperança e onde a Palavra de Deus tem sido vendida. Muitos acham que encontraram a Deus, quando de fato não O tem.

Alguns pregadores implicam com o banco da igreja, dizendo que os crentes só ficam nele. Entretanto, acredito que o “banco da igreja” é um momento abençoado da vida cristã; é bíblico e necessário: como quando na época de Jesus as pessoas de assentavam e ouviam o Senhor, a exemplo do Sermão do Monte (Mt 5, 6 e 7). Ninguém pode dar se não receber.

Mas, o problema pode vir depois do banco: levantar, guardar tudo para si mesmo, e, pior ainda: não praticar.

Os ensinos da Palavra são para serem aplicados. E multiplicados.

É neste ponto que precisamos urgentemente de uma mudança nas igrejas cristãs. A tarefa de evangelizar e discipular é da igreja, Jesus a deixou para nós – e isso promove a glória de Deus.

Precisamos dar frutos. Você tem dons para servir. Qual é o seu ministério? O que Jesus quer que você faça? Isso é importante, mas via de regra, os dons são dados para a edificação do corpo, onde as pessoas já conhecem O Senhor.

Naturalmente, frutos que promovam a glória de Deus podem ocorrer em qualquer serviço cristão, mas, especialmente no meio de pessoas leigas, que ainda não conheçam a Palavra e nem o Evangelho. Portanto, o tipo de fruto que as igrejas mais precisam é espalhar as Boas Novas e fazer discípulos.

Não é somente o uso dos dons, mas o testemunho do Evangelho.

Muitas pessoas já dão frutos nas igrejas: cantando no louvor, servindo como diáconos, ensinando as crianças, liderando ministérios, ensinando na Escola Bíblica… tudo isso é dar fruto de fato (se for feito com a direção de Deus). Mas, inúmeras dessas pessoas simplesmente não sabem testemunhar as Boas Novas de Cristo – e mais: se Deus converter alguém para quem elas pregaram o Evangelho, simplesmente não sabem como discipular.

Mateus 28.19-20, diz:

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (NVI)

Inúmeros cristãos diriam: Ah, essa passagem eu já sei”, mas, a questão não é se você já sabe …

…a questão é se você e eu estamos sendo fieis a ela ou não!

“Ah, mas eu já dou ofertas para missões”, alguém poderia dizer. Mas não é isso, quando Jesus diz: “vão” (ou “ide”), Ele está dizendo que você e eu temos que nos envolver na tarefa de fazer discípulos pessoalmente. Missões é uma extensão da evangelização.

Honestamente, eu não entendo cristãos que dizem que “amam missões”, mas não evangelizam através de seus relacionamentos.

Além disso, Jesus ainda disse em Atos 1.8:

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.

Você já releu um livro ou assistiu a um filme mais de uma vez? O que aconteceu? Você teve novos insights! Percebeu coisas que não tinha notado antes, ou então outras fizeram mais sentido para o seu entendimento. Rever Mateus 28.19-20 e Atos 1.8 deveria causar este tipo de reação num discípulo de Jesus.

Deus espera que você e eu evangelizemos e ensinemos pelo menos o básico da vida cristã. Volto a dizer: não significa que o que já fazemos para Deus não seja bom ou útil (se for bíblico). Mas, não podemos dar fruto somente na igreja – é preciso dar fruto no mundo, a fim de que o Evangelho cresça.

E, talvez, você me diga: “mas, pastor, eu não sei discipular, eu mal sei evangelizar!” É uma realidade, por isso que eu lhe digo: “para discipular, primeiro seja discipulado”.

Você tem participado das ações de discipulado promovidas pela sua igreja? Tem caminhado junto com alguém? Tem estudo a Bíblia acompanhado(a) de outra pessoa?

Deus quer aumentar as igrejas, amados, no tempo e ao modo d´Ele. E, os novos convertidos vão precisar ser acompanhados, ensinados, conforme ordenou Jesus.

E a grande comissão é de toda a igreja, não somente do pastor. Todo evangélico deveria ser capaz de evangelizar e discipular uma pessoa nos passos básicos da fé. Naturalmente é preciso haver uma estrutura na igreja para capacitar os discipuladores – onde entra fundamentalmente o trabalho do pastor.

As igrejas de Cristo precisam ser igrejas discipuladoras, capazes de discipular, a fim de poderem ser multiplicadoras. Do contrário… multiplicarão o quê?

Depois de compreendermos bem nossa cultura de discipulado, precisamos evangelizar. A evangelização e o fazer discípulos precisam ser vistos como uma consequência, um transbordar… um fruto!

Se isso for bem trabalhado pelo ministério pastoral – e assim assimilado pelas ovelhas de Cristo, conforme a Palavra, podemos deixar de ter um “departamento de evangelização” dentro da igreja, a fim de adotarmos uma cultura de evangelização!

Isso é muito mais útil e muito mais abrangente para a causa do Reino de Deus – e para promover a glória d´Ele.

Não é errado ter um departamento ou ministério de evangelização, desde que ele promova a cultura em toda a igreja local – e não a faça terceirizar a responsabilidade de testemunhar Cristo ao mundo.

A conversão fica por conta de Deus. Sim, veja bem: você não será cobrado por Deus se converteu alguém, mas sim se testemunhou e se cuidou daquele que Deus converteu:

Essa convicção, por si só, já retira a resistência de muitos crentes quanto a evangelização!

Alguns têm medo de evangelizar e não conseguirem “ganhar almas” para Cristo, o que lhes gera um bloqueio psicológico. Mas, a conversão é algo produzido por Deus. Algumas pessoas serão evangelizadas e não haverá conversão – mas o ato de evangelizar não foi em vão, será usado para juízo.

Não sabemos quem vai se converter, Deus sim, então, vamos nos limitar a sermos fiéis, fazendo o que está na Bíblia, pregando a todos quantos for possível (com atitudes e palavras) e cuidando de quem vier a crer. Nosso trabalho nunca será em vão: ou será usado para juízo, ou para Deus converter alguém, e, sempre, para cuidar (discipular) daqueles que vierem a crer.

Cada vez que você testemunhar fielmente do Evangelho, fique satisfeito, pois você cumpriu o que lhe cabe. É isso que Deus requer de você.

O restante é com Deus. Pode ser que Ele lhe dê a chance de falar um pouco mais para a pessoa, ou “apenas” de dar testemunho com sua vida (o que é mais forte e impactante do que falar). Então, pode ser que outra pessoa venha a falar, e, então, Deus complete a obra. Às vezes será ao contrário, em outras ocasiões, de outra forma. Apenas seja fiel.

Discipular não é uma tarefa difícil, do ponto de vista que você recebeu o Espírito Santo e pode contar com apoio pastoral e a estrutura da igreja para isso. Acredite em mim: assim como na evangelização, o ato de discipular tem mais barreiras em nossa mente do que no mundo real. Deus quer usar pessoas: nós, os que cremos (não há outras para serem usadas). O mundo está sedento.

Precisamos dar frutos e nos preparar para isso. A missão do “Ide” é da igreja. É para a igreja que Jesus diz: “Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos”.

A missão do pastor é ensinar o rebanho a cumprir o “ide”. Despertar, capacitar e manter o foco para isso. Além de fazer junto, é claro.

Neste tocante a dar frutos, para isso é dado um pastor: para orientar o rebanho na sua missão. E, também para os problemas mais difíceis, para aconselhamento, para apascentar o rebanho, intervir em conflitos, dar unidade e direção geral aos ministérios etc. Além de sua missão principal e fundamental: O Ministério da Palavra.

Mas o “Ide” é de todos! É evangelizar e discipular, a partir da igreja local e até os confins da terra, e, para tanto, oramos, nos envolvemos, testemunhamos, discipulamos (obra local); e intercedemos e ofertamos (obra de missões). Não há nada mais interessante e empolgante para um cristão, nascido de novo, do que fazer discípulos, acredite em mim.

A obra tem que ser feita, Deus tem despertado os crentes ao redor do mundo e nossas igrejas não podem ficar fora dessa, até que Ele venha, em Nome de Jesus. Capacite-se e envolva-se!

Sei que nem todos são chamados para serem líderes, e nem estou sugerindo isso, mas certamente todos podem alcançar alguém através de um relacionamento que venha a ser bênção com o testemunho de Cristo e o discipulado.

Como diz o “Pacto das igrejas Batistas“, que “o Senhor nos abençoe e nos proteja para que sejamos fiéis e sinceros até a morte”. Amém.

Pr. Leandro Hüttl Dias

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