A CURA DA CURA GAY

Você não gosta do Marco Feliciano? Tudo bem, eu não gosto de jaca. Entretanto, eu não poderia falar mal da jaca naquilo que ela não faz. Eu não posso dizer que jaca é cancerígena, só porque eu não gosto dela. Mas posso dizer que tem um aroma e paladar insuportável para mim, pois eu não gosto.

Com relação ao Marco Feliciano, tenho discordâncias com sua teologia. E confesso que desconheço a atuação dele como deputado, então, neste ponto, eu teria que ficar neutro sobre qualquer opinião política. Mas não posso falar mal dele naquilo que ele não faz. A isso damos o nome de ética. Ser ético não quer dizer que você vai aderir a pregação da pessoa, mas apenas que você vai proceder com justiça.
Bom, como se faz milenarmente neste mundo, tiraram o cara para “judas” e distorceram um assunto sério, que não nem é de autoria de Feliciano; estamos falando do que a mídia tem chamado de “Cura Gay”. Criaram um rótulo (falso) e enfiaram pela goela das pessoas que simplesmente aceitam a questão sem confirmar ou pensar.
Pensamentos prontos
Através da ironia, barulho e sem dar tempo para as pessoa pensarem, a mídia (ex: CQC) tem dado para os telespectadores engolirem a opinião sobre o Projeto de Decreto Legislativo 234/11 de autoria do Deputado João Campos (PSDB-GO), que susta dois trechos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. O projeto, com sua justificativa, pode ser lido neste link, direto do Portal da Câmara dos Deputados (a informação está disponível para quem quiser ler E PENSAR, mas muitos preferem engolir o que vem pronto da TV, internet e jornais).
Vivemos num momento de muita titulação acadêmica, o curso superior tornou-se o “segundo grau” do passado. Mas é um momento em que muitos têm títulos, mas não o raciocínio acadêmico, onde se pode pensar e dialogar. Onde o filósofo alemão Georg Hegel já defendeu a dialética (que hoje se ensina, por fins didáticos: tese, antítese e síntese). Contudo, em nosso tempo, as questões apresentadas ficam estacionadas na tese, e é ai que mora o perigo, pois a “tese” é sempre a do “politicamente correto”. E quem tem feito feio nisso são diversos jornalistas, que opinam com o pensamento pronto – que papelão para um “profissional”. Duvido que nenhum professor deles tenha falado sobre a dialética – nem que seja o de metodologia científica – com certeza foi assunto tratado na academia.
Sabe, isso na verdade apenas mostra o período de imaturidade que a sociedade vive, enebriada pelo, repito, “politicamente correto” – uma adolescência do pensamento. Eu tenho 36 anos, mas lembro-me quando eu era adolescente que uma amiga, da mesma idade que a minha, foi perguntada: “você gosta de roupa tal?”. Ela pensou e disse: “não sei se eu gosto, tenho que ver na “Capricho” se eu gosto dela ou não”. Capricho, como todos sabem é um revista dirigida aos adolescentes. Pensem! Isso é um raciocínio imaturo, típico da idade, ela teria que consultar o que “todos estão dizendo”, para aderir, se enquadrar e ficar “bem na fita”.
Entretanto estamos falando de adultos que franquearam seu raciocínio a opinião dos outros: ao “sindicato gay” e à mídia – corrompida, cheia de interesses, que controlam as massas, como um padeiro faz com a massa de pão. É… este profissional joga a massa para onde quer, só que ele não lida com pessoas, massa não pensa, serve somente para cumprir um fim cujo interesse não é o seu próprio, mas de quem a manipula. Algumas pessoa são apenas massa de pão, não pensam.
Mudança de sexo
O argumento de que um psicólogo não pode tratar um gay em suas crises de identidade de gênero é que a opção sexual não é uma doença. Eu vou forçar um pouquinho o raciocínio dessa turma e fazer um paralelo com a mudança de sexo.
No Brasil esse procedimento médico, de alta complexidade e custo, é legal, custeado também pelo SUS e agora chama-se “readequação de sexo”. Bom, vamos pensar, porque não custa nada e só faz bem para a saúde: se uma intervenção pode ser justificada somente onde há uma doença para ser curada (e é por isso eles dizem que homossexualidade não pode ser curada, posto não ser uma doença [o que é verdade]), eu me pergunto: órgão sexual, por acaso é doença??? Um pênis é uma doença no corpo de uma pessoa QUE JUSTIFIQUE INTERVENÇÃO MÉDICA?. Ora, bolas, pouca vergonha! Arrancar um órgão sadio para atender ao gosto do freguês – como se num açougue estivesse – é permitido E CUSTEADO COM IMPOSTOS DO POVO, mas uma pessoa ter o direito de ESCOLHER não ser gay e buscar, dentre outros suportes, ajuda profissional terapêutica para tratar seu conflito não pode? Só pode ser – e não vejo outra opção – ignorância e da mais ‘pura’ que se pode encontrar!!!
Voltando…
Retomando o Marco Feliciano, eu gostaria que você assistisse a este vídeo dele. Mesmo sem gostar da jaca, eu assistiria a um vídeo que falasse sobre ela, se isso fosse elucidador para mim. No vídeo ele não faz nenhuma das suas estripulias que faz nos púlpitos, antes são explicados argumentos, e com provas, e é nessa tensão com o contraditório que surge, também, e muito, o raciocínio (bravo!). Se ainda assim o cheiro da jaca lhe impedir de assistir ao vídeo que colocará, por fim, um ponto final dessa baboseira toda (embora eu lhe diga: cuide com o preconceito!), abaixo dele há um link para o blog do Reinaldo Azevedo, jornalista (de verdade) renomado que escreve magnanimamente sobre o tema. O melhor seria você ver as duas informações.

Blog Reinaldo Azevedo: “Você lerá que comissão aprovou “projeto de cura gay”. É uma falsa notícia e aqui se explica por quê”.

O que chamam de “projeto de cura gay”, inexiste. Foi aprovado um projeto, que vai para outras instâncias, para retirar alguns trechos da resolução do CFP que tocam na liberdade de expressão, escolha e debate sobre o assunto, incabível numa democracia, pois são atitudes autoritárias. Mas o texto da resolução que diz que não se pode patologizar a homossexualidade, nem haver coerção ou tratamento não solicitado FICA INALTERADO, respeitando a escolha do cidadão. A reparação foi com relação ao abuso e a intromissão, pois o oposto havia sido VETADO, ou seja, mesmo QUERENDO uma pessoa não poderia encontrar tratamento para SUA OPÇÃO. Porém… a opção contrária “pode”. No todo, então, a opção individual pela homossexualidade inclui a troca do sexo SADIO, pago pelos contribuintes, tendo na cirurgia de “mudança de sexo” um tratamento psicológico feito em paralelo para dar apoio!! E o contrário… nada????? Palhaçada da mais grossa, coronelismo do “sindicato gay” que quer agora FORÇAR as pessoa a serem gays e não apenas “garantir seus direitos”, estamos numa ditadura! E o jornalismo militante está ai para fazer papel de bobo da corte.

Conclusão
A cura da cura gay é bem simples, posso apresentar apenas nessas próximas linhas, embora eu tenha procurado desenvolver um pouco o assunto a fim de apresentar opinião e fatos. Mas a cura é: o esclarecimento e a retirada da ignorância. Só que isso não há SUS ou médico que dê jeito. Só a escola.

Mas acho que isso vale em maior grau é para os jornalistas que noticiaram por tanto tempo essa mentira, sem conferir os fatos. Algumas pessoas pesquisaram e descobriram que receberam informações falsas através da mídia. A essas, meus parabéns!

Leandro Hüttl Dias

Um comentário em “A CURA DA CURA GAY

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  1. Excelente texto primo, estou totalmente de acordo com o que escreveu, até coloquei um post sobre o assunto no meu Face essa semana.

    Inicialmente por desconhecimento achei um absurdo a proposta, mas depois que li e pesquisei mais sobre o assunto, entendi do que se tratava.
    Infelizmente a mídia distorce as informações e o povo brasileiro que já não gosta muito de ler, acaba se influenciando por aquilo que assiste na TV.
    Triste realidade..

    Mas valeu pela indicação de leitura, muito boa.
    Beijão!

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