A tristeza de “ser” quem “não sou”

Texto escrito por Armando Taranto Neto
Você já percebeu que por vezes sofremos de uma síndrome do “Não Lugar”.
“Não Lugar” é aquele sentimento de sempre estar insatisfeito com as circunstâncias que nos encontramos.
Tudo isso acontece por causa de nossas tendências consumistas e materialistas.  As propagandas sempre nos pressionando com mensagens do tipo:
“ – Aproveite, últimos dias!”
“ – Quer pagar quanto?”
“ – Com VISA você quer, você  PODE!
“ – Venha para o mundo dos Nets!”
“ – Ao sucesso com Hollywood! “ (Marca de cigarros)
“ – Saia do habitual!”; e outras, vão nos colocando, psicologicamente,  em um lugar que não estamos e nos formatando em alguém  que não somos.
Surge, então,  o sentimento de “Não Lugar”.
Nunca sou quem gostaria de ser;
Nunca tenho a roupa, o relógio, o carro que gostaria de ter,
Nunca moro onde gostaria de morar,
Se tivesse outra profissão com certeza seria mais feliz;
Se tivesse me casado com uma pessoa rica estaria vivendo melhor!.
Meus filhos poderiam me dar menos trabalho; etc.
Esse processo cria em nós uma sensação constante de deslocamento, não completude, não felicidade,  frustração, indignação, podendo até culminar em um estado depressivo.
Em Marcos 10.21 Jesus  ensina  a um jovem rico o caminho da completa satisfação e realização, a “Despossessão das coisas”.
“ E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Uma coisa te falta; vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.”
Aqui está o segredo, quem quer viver uma vida de liberdade e felicidade precisa transferir o foco de suas  perspectivas das coisas desta terra para o céu.
No mundo tudo é transitório,  efêmero,  ilusório, corruptível, corrosível  e, em alguns casos, podem até ser corroídos  pelas traças.
O Teólogo e Filósofo Huberto Rohden descreve  exatamente  o processo de libertação das coisas materiais em sua obra    “Em Espírito e Verdade”:
“Deus é infinitamente livre, não o constrangem  prisões de espécie alguma. Nem as barreiras da matéria, nem os vínculos das formas… Nenhum erro, nenhum preconceito, nenhuma paixão, nenhuma incerteza – nada coíbe ou cerceia a liberdade de Deus. (…) Quanto mais o homem se espiritualiza mais livre se torna … Quanto mais se emancipa da escravidão dos erros, dos preconceitos, das paixões, dos instintos, da matéria, dos sentidos, tanto mais se aproxima da Divindade (…)”
Canalizamos  muita energia e tempo procurando ser e viver aquilo que não está nos propósitos do Senhor.
Deixemos de sofre por aquilo que não somos e temos e usufruamos das bênçãos de sermos quem somos e temos.
PS. Enquanto digitava este artigo recebia a triste informação de falecimento de Eliana Tranchesi, a ex proprietária da “Daslú” , uma luxuosa loja de “Griffe”  que é o sonho de consumo dos que vivem no “Não Lugar”.
Que Deus a tenha!

4 comentários em “A tristeza de “ser” quem “não sou”

Adicione o seu

  1. Querido filho Leandro,

    Muito boa e verdadeira a matéria que você postou. A coisa é bem assim, realmente se não tomarmos cuidado, acabamos por nos sentir frustrados em não ser ou ter aquilo que a mídia quer nos impor e tendenciosamente levando a pessoa acreditar que em não tendo aquilo que ela apregoa, será quase uma pessoa fracassada.
    Os valores são outros, as necessidades são outras e não o que a mídia quer lhe impor.
    Temos que ficar atento e diferenciar essa manobra que procura atacar a nossa vaidade e conceito de certo ou errado, e, desnecessário ou necessário. É muito bom quando conseguimos perceber essa manobra maldosa, que leva muitas pessoas a agir como os outros querem e não como ela deve verdadeiramente agir.
    O sentimento do “não lugar” é criado sim e acaba prosperando nas cabeças mais fracas que não percebem que estão sendo Usadas.
    Um beijo do Pai.
    Continuo a colocar como anônimo pois é único caminho que consigo. Mas sou Carlos Dias, seu pai.

    Curtir

  2. Pai, quando estivermos juntos pessoalmente vou lhe mostrar como comentar no blog com sua identificação, ok! Mas VALEU a iniciativa do comentário e identificação no final.
    É… esse mundo midiático e comercial não tem nada para oferecer para a alma. As pessoas reduziram-se ao que é material. Do seu corpo em diante (bens) é o que interessa. Contudo: Isso não preenche a alma.
    Parece um discurso velho, desprovido da consciência que é necessário o cuidado com a vida na sua espera material, também.
    Mas, na verdade, precisamos ter noção das necessidades nas três dimensões que existimos: corpo, alma e espírito; hierarquizá-las, priorizando-as e atendendo a cada demanda.
    Claro que no mundo capitalista não há espaço para isso, pois roubaria tempo, e tempo é dinheiro, ensina o Tio Sam.
    Nos resta, então: escolha. É escolha pessoal, com ajuda de Deus, por meio da fé, para nós nos organizarmos, e não sermos manipulados. Mas nesse exercício não vale só a razão, há muitos pensadores no 'não lugar', mas a humildade de reconhecermos a necessidade de Deus. Isso num mundo agnóstico, laicista, ateu – mas é conversa para outro post… beijo, pai, obrigado pelo seu acesso e comentário, ele são muito importantes.
    Filho

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Site no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: