Como ler as Escrituras?

Por Charles H. Spurgeon

Você já foi à biblioteca do Museu Britânico? Ali, há muitos volumes de consulta que o leitor tem licença de tirar da prateleira quando quiser. Há outros livros de consulta para os quais o leitor precisa preencher um formulário, e não terá acesso a eles sem o formulário; e, ainda, há outros livros seletos que ninguém verá sem receber autorização superior, e, então, há portas a serem destrancadas, armários a serem abertos, e há um vigilante ao lado de quem examinar o volume. Dificilmente temos licença de fixar o olhar num manuscrito, pela preocupação de se apagar uma única letra. É um tesouro tão precioso do qual não há outro exemplar, no mundo inteiro, e não temos fácil acesso a ele. Da mesma maneira, há doutrinas preciosas, realidades da Palavra de Deus que estão trancadas em caixas de vidro, tais como Levítico ou Cantares, e não podemos chegar a elas sem muitas portas serem destrancadas; e o próprio Espírito Santo deve estar ao nosso lado; de outra forma, nunca chegaremos até o tesouro de valor inestimável. As verdades mais sublimes são tão cuidadosamente escondidas como os ornamentos preciosos dos príncipes; por isso, faça uma busca ao ler. Não se dê por satisfeito com um preceito cerimonial até chegar ao seu significado espiritual, pois é esta a sua interpretação certa. Você ainda não leu, a não ser que entenda o espírito da questão.

Assim também acontece com as declarações doutrinárias da Palavra de Deus. Tenho notado, com tristeza, algumas pessoas que são muito ortodoxas, e que podem recitar seu credo de modo muito loquaz, mas o uso principal que fazem da sua ortodoxia é ficar sentado observando o pregador, com a intenção de preparar acusações contra ele. Ele é julgado por ter falado uma única frase que tinha uma distância exígua (metade da largura de um fio de cabelo) abaixo do padrão! “Aquele homem não tem a sã doutrina. Disse algumas coisas boas, mas tenho certeza de que ele está podre até ao âmago! Empregou uma expressão que não foi de 1.200 gramas por quilo.” Mil gramas por quilo não bastam para os caros irmãos aos quais me refiro, pois exigem algo a mais do que o siclo oficial do santuário. O conhecimento deles é usado como microscópio para aumentar diferenças mínimas. Não hesito em dizer que já encontrei pessoas que conseguem dividir um fio de cabelo entre o lado oeste e o noroeste, nas questões da teologia; nada sabem, porém, a respeito das coisas de Deus quanto ao seu significado real. Nunca beberam delas até saciar a profundeza de sua alma, mas apenas as chuparam até encher a boca, a fim de cuspi-las em cima do seu próximo. Falar sobre a doutrina da eleição é uma coisa, mas, saber que Deus nos predestinou, e produzir o respectivo fruto nas boas obras para as quais fomos destinados, isso é coisa bem diferente. Falar do amor de Cristo, falar do céu que foi preparado para o seu povo, e de outras tantas coisas — tudo isso é muito bom; mas é possível falar sobre tudo isso, sem ter experiência pessoal. Nunca, portanto, se dê por satisfeito somente com uma crença sólida, mas deseje tê-la gravada nas tábuas do seu coração. As doutrinas da graça são boas, mas a graça das doutrinas é melhor ainda. Tome o cuidado de possuir essa graça, e nunca se dê por satisfeito com seu nível de instrução, até que entenda a doutrina e tenha sentido o seu poder espiritual.
Por Charles H. Spurgeon. Trecho de seu livro “Como ler a Bíblia”, disponibilizado em http://semeadoresdapalavra.top-forum.net/. Conheça o site.

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