O que Jesus disse?

Estava vendo há pouco o dicionário de grego e verifiquei a palavra que nos leva à “mateteísate”, usada em Mateus 28.19 quando Jesus diz para fazermos discípulos; discipularmos.
A palavra é realmente “discipular, ensinar”. Uma outra tradução possível seria “Indo, pois, ensinem todas as nações…”.
O conceito usado hoje normalmente é de pregar. Sim, devemos pregar. Mas as pregações antigamente parece que tinham o interesse de ensinar o Evangelho, conforme as palavras de Jesus. Hoje temos o conceito de divulgar (e como numa campanha política, atrair com promessas). Mas o verbo usado por Jesus não é como o de propaganda, como muitos acreditam, no sentido humano de fazer marketing. Alguns pensam em estudar marketing e usar os princípios para o Evangelho, mas este é antes daquele. Jesus não disse para anunciar, fazer propaganda, mas para ensinar: “Discipulai todas as nações”, também é outra tradução possível.
Fico tenso quando vejo algumas igrejas sem a atenção com o discipulado, não apenas a classe do discipulado, mas despreocupados em discipular mesmo as pessoas que estão ali, fazendo o culto e as demais atividades girarem em torno desta meta do ide: “discipulai” (e não “abençoai” no sentido de matéria, como é bastante vista hoje a bênção de Deus; nem “acumulai” conhecimento bíblico). Algumas até querem, mas não conseguem. Não é apenas sair e anunciar, fazer discípulos envolve orar, acompanhar, saber da pessoa. E mesmo quando há uma classe de discipulado nem sempre há envolvimento genuíno, até do próprio pastor, para compromisso do que se está lecionando, se é relevante, contundente com os objetivos da Escritura, pois os membros estão sendo abastecidos ali. E, repetindo, não apenas na sala de aula da igreja, mas no cotidiano, e neste caso com atenção e ação no preparo dos discipuladores.
É importante esclarecer que a palavra utilizada não tem o sentido de apropriação de conhecimento como numa faculdade, mas tem muito mais ligação com uma aprendizagem para o cumprimento da vontade de Deus, com uma total devoção a alguém, neste caso Jesus Cristo. A questão do tempo como período também é importante. No caso de Jesus o emprego da palavra discipulado é diferente até do seu uso secular, pois mesmo filósofos têm discípulos, ou do seu uso religioso rabínico, que também fazem discípulos; pois o objetivo dos seguidores nestes dois ambientes citados é de tornarem-se mestres, e essa passagem pelo discipulado, mesmo que o aprendiz apegue-se com zelo ao mestre, o que normalmente acontece, tem um período para acontecer e pode haver uma separação deles. No caso do Senhor a chamada dEle é para uma negação da natureza pecaminosa, do ego, e um seguimento a Deus, mas por toda a vida, não tem um fim. Quando seguimos a Jesus deixamos outras coisas para trás. Não é uma promoção, mas um chamado. Contudo, é a vida, a verdade e o caminho. 
O discipulado proposto por Jesus, além do descrito acima, também envolve serviço. Portanto ide e fazei discípulos quer dizer que teremos que mostrar e ensinar a trabalhar, não para si, mas para os outros.
Um pouco deste pensamento até aqui me faz ver o quanto todo este eterno ensinamento de bênçãos, de prosperidade e afins teimam em permanecer longe das palavras pronunciadas pelos lábios do Senhor. Ele, e Seu pensamento, Sua direção, nem sempre estão nos objetivos dessas igrejas. Longe de querer parar e criticar, quero libertar-me e fazer as coisas propostas que estão no meu coração e conhecer mais a Deus. Sim, lamento o muito barulho que tem abafado o Evangelho, mas o testemunho às nações, nos moldes rascunhados – e de aperfeiçoamento e de continuamente maior compreensão necessária (sobretudo coletiva) – certamente mostrarão ao mundo o verdadeiro Evangelho começado por Cristo. 
Aos que estão pensando assim também, creio que basta colocar a “mão na massa” com o que está em seu coração (interior, mente, pensamento, reflexão, sentimento) e agir. Se o início do seu agir é simples, tem muitas chances de ser de Deus e não seu.
Consulta:
COENEN, Lothar; BROWN Colin (orgs.). Dicionário internacional de teologia do novo testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000. P. 581 – 587.
NOVO TESTAMENTO. Interlinear grego-português. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.
GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento: grego, português. São Paulo: Vida Nova, 2007.
Soli Deo Gloria.

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